30.6.06

Estamos arumando o Ponto de Cultura da Biblioteca Social Mundial, entre os muitos livros achei este texto por lá. Bom proveito a todas e todos


TaTo AmArElO
(Ítalo Rovere)

Tudo isso foi no escuro da noite
Para que refletores?
Vamos fazer nossa própria luz...

Teu calor
Teu Jeito
Concentrado
Disfarçado
Chamou-me a Atenção

Fui embora
e nem te disse
que fui embora
eu fui embora
Por quê?
Não sei!

Não quero pensar que fui embora
Prefiro pensar em te encontrar nova(mente)
Ler-te
Falar contigo
Como se tu
Me conhecesses
De antes
De beijar minha boca
E ao meu ouvido tivesse dito
O Meu olhar viu o Teu
Eu te vi
Tu me vistes
Tu me fazes ver
Tu és o amor
ADEUS – A eus – As – Eu – Deus – A Deus

Estou partindo em mil pedaços
Por que não sei quem tu és
Eu te via
Tu me vias?
Eu não sei
Senti-me visto por ti

Coloquei a mascara da minha nudez
estava com os pés em cima do risco
Tu és a Pureza
Tu és a Beleza
M
A
G
I
A
Teu tato vai ficar gravado
Feito grámatica
Sei lá
Foi só um
Relâmpago
Em uma noite
Perdida no tempo
No meio da multidão
absorvida pelo barulho
das vozes e dos sons

Subi no céu sozinho
Por que não vens até aqui
No meu coração?
Eu te sinto

O teu tato é amarelo
assim como o sol
Se for falar do teu brilho
então nem pensar
por que não teria fim
TE vendo
Não há por que saber teu nome
É teu olhar que olha para o meu?
No meu coração tua existencia faz-me feliz
mesmo sem falares comigo
e sem saberes meu nome
vou continuar a ver-te
Como foi bom ver-te tão leve
Pensei que fosses me levar...

Qual é a tua cor?
Quero saber de ti...

Tua face estava Lavada
tinha brilho
a tua pele
Reluzia
Luzia
Luz
ia
para onde ias?

Eu não te via
Eu te procurando
Vagava no teu mistério
TE vi
TE vi
TE vi

Esqueci de Mim
Ali
Ali
Ali

Te vi te
Vi te vi

Tu estás onde não te esqueci
Não quero te esquecer
Vou te guardar.

Um comentário:

Camila Carvalho disse...

PARABÉNS PELO POST...
ESSE POEMA DO ÍTALO É PERFEITO ME APAIXONEI QUANDO ESCUTEI ELE DECLAMANDO,PRINCIPALMENTE PQ UMA PESSOA MUITO ESPECIAL ESTAVA ESCUTANDO JUNTO COMIGO.
PARABÉNS NOVAMENTE

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento