12.6.06

Contribuições

Sabe gente, devemos estar aberto a tudo e a todos, é por isso que este blog serve esta aberto a contrubuições, e ai vai a primeira.

"Cada um de nós compõe a sua própria história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz."

Somos responsáveis pela construção de nossa vida. Tudo o que acontece conosco, nossos sentimentos, nossos sonhos, são responsabilidades nossa construir. E mantê-los ou não. Muitas vezes atribuímos ao outro responsabilidades que são nossas. Ser feliz por exemplo. Claro que ter uma vida boa, ter um carro, uma casa legal, alguém que me ame, goste de mim, bons amigos, tudo isso é bom e pode proporcionar felicidade, mas nada disso adianta se não formos felizes com a gente mesmo. Quando foi a última vez que você se olhou no espelho e disse: "nossa, como você é legal", ou "eu gosto de você."? Quando foi a última vez que você fez uma coisa boa, mas não porque os outros iriam gostar, mas porque você iria se sentir bem? A nossa auto estima é muito importante na construção da nossa felicidade. A gente precisa estar bem com a gente mesmo até mesmo para proporcionar que o outro seja feliz. A felicidade é uma construção. Eu consigo olhar para o outro e acolhê-lo quando estou bem comigo. Porque quando não estou, eu fico tentando encontrar no outro aquilo que quero que esteja bem em mim. Na verdade isso acontece muitas vezes, eu procuro me encontrar no outro e não o acolho do jeito que ele é, com as suas diferenças As nossas diferenças nos enriquecem, e o outro me completa. Por isso, estando bem comigo, eu posso estar aberto ao outro. E possibilitar que ele também seja feliz. Por isso é que a felicidade é uma construção. Eu não vou conseguir ser feliz enquanto o que estiver ao meu lado não for feliz. E nesse mundo que a gente vive, nesse atual sistema, está muito difícil proporcionar e vivenciar a felicidade. É preciso mudar. É preciso romper com tudo o que nos faz infelizes. E construir uma nova maneira de se relacionar, baseada no amor, no cuidado, na justiça, na igualdade. Toda mudança requer sacrifício. A ruptura requer mais ainda. Mas é necessário, essencial, pois será a construção de uma vida nova. Quem está aberto a esse desafio?

Rose Helena, inverno de 2004.

Nenhum comentário:

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento