28.9.08

Um dedal



O menino chegou em casa. Largou a mochila em cima da cama. Tirou as roupas de dentro dela. Retirou os livros. Algo metálico caiou no chão. O menino pegou o objeto de baixo da cama. Um objeto metálico todo colorido. Não conseguia distinguir o que era. Parecia um baldezinho minúsculo. Tampa de alguma coisa. Não conseguia entender. Olhou para os livros perto de um deles estava um pequeno cartão. Nele estava escrito em letras pequenas e bem desenhadas com caneta vermelha ‘...uma coisa que podemos partilhar sem medo é a fantasia. E essa é a expressão pura dela. Amor é dedal procurando mão...’. Algumas lagrimas rolavam rosto abaixo. Lagrimas singelas. Lagrimas de alegria, de felicidade, de paixão. Pegou o objeto novamente. Um dedal colorido. Um dedal para seus dedos. Para sua mão. Para seu amor. Guardou com carinho o cartãozinho e o dedal. Partilhar a vida. Partilhar os sonhos. Partilhar o ar que se respira. Partilhar as fantasias de crianças correndo no meio de flores. Pulando em poças de água. Terminou de arrumar as roupas e livros. Sentou na sua cama e pensou neste amor que estava construindo, feito brincadeira de criança. Seus lábios se abriam em sorriso só de lembrar das brincadeiras e dos fragmentos que aos poucos os dois iam remendando, costurando, feito concha de retalhos. E assim feliz foi dormir.


Elisandro Rodrigues
setembro de 2008

2 comentários:

Ana Rocha disse...

No mundo da fantasia ele ri, ele voa, ele pula de nuvem em nuvem.
Ele pega carona num elefante rosa e brinca de trocar sonhos e pintar a realidade de um jeito que só ele faz.
Esse menino é tudo. esse menino é amor, é paixão, é colcha de retalhos cobrindo colchão, é mão segurando coração. E a menina ama ele de montão.

Elefante Colorido disse...

"Existe um tipo de amor que te faz pensar que tudo é possível
e um outro que te faz ter certeza."
Nicole Louise

Contigo, tudo é possivel, tenho certeza!

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento