16.9.08

Nossas sombras


Caminhavam lado a lado. As duas sombras iam em silêncio. De mãos dadas andavam. De mãos dadas sonhavam. De mãos dadas voavam. Eram apenas duas sombras. Mas podiam viver aquele momento para sempre, assim, em silêncio, andando lado a lado. Assim caminhavam...

2 comentários:

Kika disse...

seu longuinho.. seu longuinho...

Ana Rocha disse...

gosto do jeito como ele anda, firme.
gosto do jeito como ele pisa, forte.
gosto do jeito como ele me acompanha, lado a lado.
isso já diz tudo.

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento