29.1.09

Cartas: Sintomas e Diagnóstico



Ando meio mal sabe! Estou com uns sintomas estranhos. Resolvi procurar ajuda médica e capacitada para isso. Entrei em contato com Dr. House. Lhe enviei os meus sintomas.

Sintomas:

-Coração acelerado;

-Suor por todo o corpo- frio e quente;

-Um friozinho no estômago – como se tivesse borboletas voando;

-Fico sem saber o que falar ou fazer;

-Corpo todo fica diferente – leve;

-Tremor nas mãos;

-Ansiedade;

-Um certo nervosismo;

-Pensamento solto – cabeça nas nuvens;

-Felicidade imensa;

-Vontade de beijar, de abraçar, de estar ao lado;

Diagnóstico:

Encaminhei os sintomas e esperei o resultado. O diagnóstico enviado pelo Dr. House foi:

“Você sofre de uma doença rara chamada dodoviskipirilampaestrela. Felizmente é uma doença que tem cura, o tratamento indicado é um beijo ou abraço por dia. Se na impossibilidade de recebê-los escutar a voz, ou conversar via outros mecanismos de comunicação são indicados. Importante ressaltar que no caso de ficar mais de 5 (cinco) dias sem um dos tratamentos você corre o risco de cair em enfermidade maior. Portanto siga a risca o tratamento indicado.”

Achei que ele não foi tão sarcástico como costuma ser. Tive a confirmação. Estou-lhe escrevendo para dizer que a causa desta enfermidade surge do seu afeto que me afetou, e como devo cuidar da minha saúde tenho que manter contato com você. Sinto-lhe informar isso dessa maneira, mas não se preocupe pois estarei seguindo a risca o tratamento, na medida do possível conto com sua ajuda.

Beijos e abraços.

Elisandro Rodrigues.

P.S: Feliz aniversário Pirilampa!

2 comentários:

O solitário Jim disse...

precisar de ajuda estamos aí! rs

Preta Lopes disse...

Original! ahahahaha

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento