16.7.09

Varal de Bonitezas


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Ela entra no quarto para pegar o livro que está sob a cama, sua cara está com um ar triste e cinzento, assim como o dia. A luz do quarto está apagada. Ao ligar a luz ela se surpreende com um varal feito de recortes de imagens, tirinhas e fotos deles. Sua cara cinzenta alegra-se e torna a ficar com uma cor viva. Viva de esperanças e sonhos. Seus olhos lacrimejam a ler a história em quadrinhos da “gordinha”. Seu coração pulsa mais rápido ao ver as tirinhas da Mafalda ao redor das fotos e das imagens do “Um Pé de Vento” do André Neves. Seu dia ficou mais alegre e bonito ao achar aquele varal de bonitezas. Ela vira para trás e o vê encostado na porta com um ar risonho de menino que fez arte. Ela o abraça forte e diz num sussurro “eu amei....nunca me solta ta...”. Os minutos passam naquele abraço mostrando suas vidas no futuro, assim como na história da “gordinha” ela o enxerga sentado numa cadeira de balanço olhando as estrelas. A imagem desaparece da sua cabeça quando ele a beija suavemente prolongando o beijo por mais alguns bons minutos.
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Elisandro Rodrigues

2 comentários:

Débora disse...

Eu amei! Nunca mais me solta ta?

Iluminou me dia! Iluminou a minha vida quando passou a fazer parte dela!

Não exatamente no início, quando era apenas um amigo que não representava perigo... Mas mais tarde, quando sem que eu percebesse, de mansinho, você entrou no meu coração; e foi ficando, ficando, ficando... Você mudou a minha vida por ter ficado!

Um varal de bonitezas inesquecível!

O solitário Jim disse...

buniteza, belezura!

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento