20.7.09

Palhaço


.

.

.

É quando o circo termina

É quando o palhaço sai do palco

É quando ele vai para o seu cantinho

É quando chega no seu camarim, na sua sala

É quando ele se aproxima da pia

É quando água sai da torneira

É quando o rosto é lavado

É ai que começa o verdadeiro circo

É quando a maquiagem cai ralo abaixo acabando os sonhos, as alegrias e as utopias

É quando o amor acaba sumindo junto com o resto de tinta.

.

.

.

Elisandro Rodrigues

3 comentários:

Débora disse...

O.O

O solitário Jim disse...

eu tinha medo de palhaços na infância!

Josi, disse...

Curto dimais as coisas q escreve, mas tenho q me contentar com, somente, a admiração. Para tristeza minha,não tenho a sensibilidade de uma alma poeta. Contudo, sei apreciar o q agrada.

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento