16.4.09

Me beija logo.


Vinicius estava sentado ao lado dela vendo o pôr do sol no gasômetro. Tinha passado à tarde com Martina. Almoço. Passear pelo brique. Chimarrão sentado na grama da Redenção. Teatro no meio da tarde e agora estavam ali sentados um ao lado do outro olhando o dia se despedir por trás das nuvens e do Guaíba. Na cabeça de Vinicius passavam-se muitas emoções e sentimentos, tentava ler os sinais mais não os enxergava claramente. Martina apenas admirava o dia acabando e as primeiras estrelas surgindo no horizonte. Ela gostava dele, mas não sabia se estava pronta para um relacionamento. Ele por sua vez estava convicto que ela fazia parte dele, não saia do pensamento dele há dias, tudo girava em torno de Martina. Permaneciam ali parados em silêncio sem falar nada um para o outro. Vinicius tomou coração, olhou para Martina e disse pegando seu rosto entre as mãos:


- Será que preciso te chacoalhar, te liga pinta sabe que gosto de você e que a gente vai dar certo, então para de ficar ai pensando que não está preparada e me beija logo....


Ele a beija ardentemente, ela......ela retribui. Os dois ficam abraçados em silêncio. Uma estrela caí mais adiante e os dois terminam o dia na casa dela entre lençóis suados e muito amor.


Elisandro Rodrigues

3 comentários:

Jaqueline disse...

Eu adoro os teus textos Eno...

Consigo ver direitinho as imagens quando leio eles...

Isso é tão inspirador...

Bj

Grazi disse...

Apaixonante...

Preta Lopes disse...

Adorei menino!
..é o predileto msmo! huahuahua rs

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento