4.11.08

Só o tempo


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Das flores nos pés que saltam ao caminhar.
Dos abraços que fecham-se ao encontrar.
Das bocas que se olham ao beijar.
Do sorriso que escuta ao falar.
Das faltas que essas coisas fazem ao pensar.
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Se faltar o vento a gente inventa. Se faltar o abraço a gente cria. Se faltar o olhar a gente pinta. Se faltar você a gente inventa o tempo.
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Você é amante em parte do tempo e amiga em tempo integral.
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......


Elisandro Rodrigues
(Foto dignamente roubada do orkut da Ana Carvalho - http://floresnoasfalto.wordpress.com/)

2 comentários:

anamaya83 disse...

do mesmo jeito que tudo começa, tudo termina

Anônimo disse...

se ficar pequeno, a gente aumenta.
se faltar calor, a gente esquenta.
e se não for possível... a gente tenta!


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Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento