30.5.09

Frio sobre Porto Alegre

Venta lá fora. O dia está frio, faz 14º. O vento gelado entra para dentro de casa e aos poucos congela o antes era quente. Uma chuva fininha insiste em cair o dia todo completando a imagem de uma meia estação de outono, quase inverno. Lembro-me da Estética do Frio em que Vitor Ramil descreve em suas músicas e livros. Ele saberia descrever esse dia muito bem. Apanho meu Pala Velho. Largo a cuia de chimarrão e abro um vinho. Sinto o calor e o sabor da uva tomando conta do meu corpo. No meu rádio está tocando Kevin Johansen – ‘Luna sobre Porto Alegre’, coloco a garrafa e o copo de vinho no chão, me encolho sobre o sofá enrolando-me no meu Pala e aos poucos no embalo da música e do vento adormeço nesta tarde fria em Porto Alegre.

Elisandro Rodrigues


Um comentário:

Cláudia da Rocha disse...

Amei a música!!

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento