22.12.08

Carta Natalina


“Querido Papai Noel.

Sou meio grandinho para estar lhe escrevendo, na verdade sei que você não existe. Sei que a data natalina perdeu totalmente o sentido e o espirito original – o do nascimento do menino Jesus, e junto com ele o nascimento da esperança da Civilização do Amor. É certo que deveríamos neste período nos esforçar para construir esta Civilização, obviamente que está reflexão acontece no dia, mas a prática, que é necessário nos outros 364 dias do ano, acaba não acontecendo.

Mesmo assim aproveito que o dia 25 está chegando e lhe escrevo, sendo você está figura mítica do Bom Vovô que distribui presentes as pessoas, gostaria de lhe pedir os meus presentes para este final de ano. Na verdade não peço para mim, mas sim para outra pessoa. Pode parecer meio estranho este pedido, em vez de querer presentes para mim peço para outra pessoa. Quem sabe é o espirito natalino de fraternidade e de amor. Vou falar dessa pessoa para você, para não errar o destinatário – pode ser que no meio de tantos presentes um que outro acabem extraviados para não correr este risco segue a descrição:

O nome da pessoa a quem os presentes devem ser entregues é Dodoviski. Ela é especial para mim, é baixinha, usa óculos, de um temperamento agitado – um pouco louca, simpática, alegre, com um sorriso encantador, faladeira, carinhosa, cozinha super bem, toma muita água, pode ser que quando a ver ela esteja usando uma tiara com estrelinhas e borboletinhas. Se o senhor não souber ao certo na hora de entregar é só observar uma pessoa que fica todos os momentos cantando e espoleteando. Com certeza não terá erro.

O endereço para entregar é na Rua Estrela, travessa Catavento, Prédio Astromélia, andar dos sonhos e utopias.

Os meus pedidos são simples, não vou pedir muita coisa não: Primeiro gostaria de pedir um livro chamado Casulo – o escritor é André Neves. È um livro bem bacana que fala do processo das pessoas, da transformação e dos sonhos, creio que ela irá gostar. O segundo presente é que tire de sua cabeça as atucanações do mundo, tudo não – metade já está bom, e coloque no lugar sonhos de mundo novo, de vida nova. O terceiro pedido é um sonho que se transforme em realidade. O quarto pedido é um pouquinho de pó de esperança e utopia. O quinto pedido é de cuidado – é que ela possa ter cuidado nos caminhos por onde passar, nos lugares onde entrar, com e nas pessoas que encontrar e conviver.

Bom, são pedidos simples, mas complexos. Ficaria contente que ela recebesse estes presentes meus entregues por você. E para mim não precisa nada não, ficarei alegre olhando a alegria e a beleza nos olhos dela. Ah! Os olhos dela irradiam felicidade, são olhos de menina.


Este é meu pedido de Natal Papai Noel. Assim me despeço, mando esta carta pelo vento para chegar mais rápido.


Abraços fraternos no espirito natalino.

Enoski.”


Elisandro Rodrigues

(Imagem do Blog do André Neves - http://confabulandoimagens.blogspot.com/

Felicitações Natalinas)

4 comentários:

Rebeca Ribeiro disse...

tão doce...

memórias na educação de surdos disse...

Que lindo está isso aqui, te encontrei nos jardins de imagens do André Neves, que amo também. Uma abraço Larisa.

O solitário Jim disse...

Este não foi o ano dos árabes, nem das mesquitas e os mulsumanos. Teve tempo para o todo e tempo para nada. Foi a eleição de um negro, e de um ser humano novo pra uma america unida. Tivemos a natureza mostrando suas garras, afiadas e apocalipticas, tanto aqui no nosso pais como em todo o mundo. Dias de perdas, de pessoas que não resistiram à fúria do sentimento do mundo, e dias de paz e crianças felizes. Não é o tempo de dizer quem é, é o tempo de dizer quem contribui, quem faz, e de lembrar mestres da filosofia, da vida como ela é. O sexo abrupto, do amor escandaloso, das faces desveladas no sopro da ventania que se pôs a falar mais alto do que as palavras de conforto dos homens que não imaginam. Tantos gostos deixaram de existir, tantas mãos não se opuseram em se tocar e amar, mas também o ódio esteve presente nas barbáries que eu sempre falei, nas inconstâncias desmedidas de quem não sabe a que veio. Foi o ano dos feios e suas bem-feitorias malucas, e de seus dizeres boêmios que me valeram mais que trezentos livros. A escura noite prevaleceu, mas como uma luz amparando minha insônia incômoda dos dias que passei só. A escuridão cobriu por muitas vezes a sabedoria de saber a hora de parar, de saber com quem me relacionar e me envolvi nos véus de Maya como uma criança que não sabe que o fogo queima. As tempestades duraram quase uma estação, e eu chorei invernos de lágrimas como tantos outros, pelas imagens que não correspondiam, como pelos sentimentos que não me valiam. A familia mudou, e um homem não é mais o pai, e nem a mulher é mais a mãe, a familia agora tem além de parentesco, sentimento que se sustenta como aço, nesta terra de minérios. Os amigos passaram a não ter nome, desde o dia em que perdemos todas as identidades, mas, os amigos passaram a ser, e isso bastou para que nem tão só nós nos sentissemos. E nesta vida tão marcada, tão fardada ao fracasso, do pó nos fizemos castelos, comportas e janelas escancaradas ao vento, para que todos pudessem entrar, desde ao infimo átomo molecular, até a linda borboleta do jardim ao lado. E não foi fácil perdurar os bons sentimentos, os pensamentos que nos fazem voar sobre os terremotos que a terra há de insitir em nos provar. A música, tão leve, tão moderna ganhou seu encanto nos ouvidos de quem a sentia tão leve, tão familiar, e assim podemos dançar até o momento que a lua se escondeu naquele horizonte tão belo que virou mar. E o dia, os dias foram clarear e raiar o mais belo Sol que ninguém nunca podia imaginar. E de um mundo fez-se o lugar mais fundo, o umbigo do mundo, a vida mais bela, que era verdade pro meu bel prazer! As ternas relações não tinham tempo, e nem nosso segredo era mais intócavel, todos numa só canção para atrair a vida para o âmbito do etéreo, do desfalecer dos sonhos marcados por contrádiçoes. Tem agora um sentido, e se mesmo assim for o não ter sentido, sobrevivemos desde o frio dos alpes, ao calor do magna do centro do planeta. E não nos bastamos na adaptação da vida, nos concretizamos no tempo que não tem razão nenhuma, mas tem toda a força do amor enérgico do mundo.

Ana disse...

Eu acho que você deveria agora ir pra cozinha e fazer um brigadeiro!!! porque faltou o doce, pra sua criança doce espoletada com borboletas e estrelas na cabeça.

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento