21.12.08

Mosaico de histórias



Olhando ela sentada no sofá ia imaginando histórias futuras - histórias de felicidade em casa juntinho e de loucura fazendo malabares no meio da rua. História sem pé nem cabeça, sem medo e sem confusão, ou por que não com muita confusão - tudo ao seu lado. Fico olhando ela ali com um livro na mão e no chão outros tantos espalhados. Me preencho com paixão, amor e poesia. Caminho até ela dou um abraço e um beijo e canto baixinho 'quero acordar de manhã ao te lado' e aturar qualquer coisaaaaaaaaaaa. Não é coisa guri é babado, quer apanhar por acaso. Damos risada juntos e a beijo suavemente. Você é o encaixe do meu mosaico de uma história maior.



"Ao pé das fogueiras acessas,

crianças, jovens e adultos,

até os já passados dos noventa,

teciam calorosos cantos e contos

grupais, envolventes e encantados.

Hoje, em tempos de fogueiras apagadas,

precisamos fuçar na memória

e catar os cacos dos sonhos

para engrandecer a vida

e não sufocar o mito e a poesia"

(Elias José)


"Existe História para tudo no mundo. Há as histórias celestiais, siderais e terrenas. Histórias que saem da cabeça, do pé, da boca e do coração."

(Luciano Pontes)

CANÇÃO DE NUVEM E VENTO (Mário Quintana)

Medo de nuvem
Medo de Medo
Medo da nuvem que vai crescendo
Que vai se abrindo
Que não se sabe
O que vai saindo
Medo da nuvem Nuvem Nuvem
Medo do Vento
Medo Medo
Medo do vento que vai ventando
Que vai falando
Que não se sabe
O que vai dizendo
Medo do vento Vento Vento
Medo do gesto
Mudo
Medo da fala
Surda
Que vai movendo
Que vai dizendo
Que não se sabe...
Que bem se sabe
Que tudo é nuvem que tudo é vento
Nuvem e vento Vento Vento!


"Curioso, desvenda segredos e mistérios naquela nuvem que cresce até o tamanho certo para chover forte. Chover menino."

(André Neves)


"Mas se alguém me faz carinho e fala devagarinho 'isso não é nada', eu choro bem de mansinho, carinho é melhor que pomada."

(Regina Chamlian e Helena Alexandrino)
Elisandro Rodrigues

Um comentário:

Ana disse...

tão leve.
=]



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Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento