9.8.08

Senhores e senhoras, respeitavél público pagão, segue abaixo o poema lido no Show do Teatro Mágico no último dia 07/08/08.

(http://www.oteatromagico.mus.br/novo/notices/view/108)


"Raros não são cinzas,
Nem são sós.
Raros são mágicos de beleza e pó!
E isso é tri legal!
Mas bah! Não somos Chico, mas queremos cantar...
Depois de tanto caminhar e de buscar, de estar com os pés mais esgualepados do que pata de cusco,
De batalhar para não acomodar com o que incomoda,
Descobrimos que toda brincadeira começa com alegria,
Com a arte independente e com encantos.
Aprendemos a magia, a história e o silêncio.
Aprendemos a voar, e chegamos na Pedra Mais Alta.
Onde lá de cima encontramos:Anjos Mais Velhos, Camaradas D'água, Carejangrejos, e muitos RAROS, que nunca estão Abaçaiados!
Vocês, para nós, mostraram que não estamos sozinhos nesse mundo.
Nos ensinaram a juntar Tudo Numa Coisa Só.
Mostraram que todos somos Cidadãos, de papelão ou não.
Com o direito de conjugar o verbo que quisermos.
E na roda do chimarrão afirmamos que:De ontem e de hoje em diante, não seremos mais o que somos neste instante agora.
Nossos Sonhos se tornaram verdade, porque nós esquecemos de acordar!Com vocês, a gente sente que é um tanto bem maior.
E através da poesia, do verbo e da saudade,Tivemos a luta, a força e a coragem
Para chegar aqui e reinvidicar:
Queremos isso todo dia!
E queremos lembrar desses raros momentos só enquanto respirarmos.
Para podermos sempre saudá-los, gritando bem alto:
Ah! Eu sou um Gaúcho Raro!"

Por Elisandro
Adaptação: Rodrigo e uma "ajudazinha" de todos da comunidade.

Um comentário:

Preta Lopes disse...

Eno,
Estou triii Feliz por este acontecimento, por vc!!
Parabéns !!

BjoO ;)

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento