19.5.08

Ninguém sabe porque


Existe alguma razão para vivermos a sonhar? Existe alguma razão para vivermos a lutar? Sobra tanta falta de algumas coisas em nossas vidas. Sobra tanta falta de amor, de paciência. Sobra tanta falta de uma pessoa para nos encostarmos e deixar o tempo parar ao lado desta pessoa. O porquê de não termos uma vida como queremos é a duvida, o mistério.
Deve ser por que não somos bons o suficiente para levar a vida que sempre quisemos ter? Ou não a merecemos? Por quê tanta miséria? Por quê tanta fome no mundo? Por quê tantas pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza? Por quê o dinheiro está concentrado nas mãos de poucas pessoas?
Perguntas que, na maioria das vezes sabemos as respostas, mas não fazemos nada. Por quê?
“Por quê o céu é azul” pergunta a criança. Por que é ... azul...por que Deus fez assim....é a causa das substancias que existem na atmosfera...por que........
“Por quê sofro tanto” pergunta o desempregado a sua esposa.
“Por quê tenho que fazer isso” pergunta o filho a mãe.
“Por quê temos que ir por este caminho e não pelo outro” pergunta o andarilho.
“Por quê nos apaixonamos por pessoas que não devíamos nos apaixonar” pergunto eu para ver se acalmo o vazio no meu peito...
“Por que fazemos estas perguntas se sabemos que mesmo que encontremos as respostas de nada vai adiantar?” respondo a mim mesmo recordando a fala de um texto. Na verdade Ninguém sabe porque!


Elisandro Rodrigues

Se perguntando vários porquês...

Um comentário:

Bigatrice disse...

Ambos Rodrigues. O meu provém de uma uruguaia que ajudou a formar boa parte do meu olhar sobre o mundo. Quanto mais longe, mais Rodrigues me sinto, nós levamos conosco os lugares que nos habitam... E sobre tanta falta, que ela sobre, o que já é diferente. Responder uma pergunta já é ter entre as letras que se esvaem (responder também é esquecer, em certo sentido) uma outra pergunta... Sim, ninguém saber por quê.
E algumas têm de continuar assim, sabe, para que elas continuem nos mobilizando. Para que as coisas deixem de ser 'naturais'. Enquanto não soubermos, seguiremos a perguntar..
Para que teu sono seja acolhido por um abraço doce...
Um beijo!

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento