24.6.08



Às vezes nos bate a saudade. Quando ela chega em nossa porta logo nos lembramos das pessoas especiais. O por quê da saudade não sabemos, mas sabemos que esta pessoa especial vai entender e estender os braços para o abraço gostoso e carinhoso. E antes que o tempo acabe, antes que a saudade acabe que venha o abraço....

Para comemorar o lançamento do II Ato do Teatro Mágico
(A primeira semana - O Teatro Mágico)

Antes que o tempo a clave de Fá Dos e Si Lá Sols
Antes da noite, uma tarde
Pra cada um de nós
Antes do barco, a chuva
Antes da roda, o frio
Antes do vinha, a uva
A fruta que não caiu
Fez desta terra um cenário
Pras peças que nos pregaram
Fez bico de pena e diário pra escrevermos a regra e a exceção
Criou o perdão e o pecado
Criou a dor e o prazer
Criamos o certo e o errado e o orgulho pra nos esconder do que prevalece em nós
Antes que o tempo a clave
Sustenidos e bemois
Antes do inteiro, a metade
Uma outra parte de nós
Antes do voo, o tombo
Luta pra não chorar
Antes tarde do que nunca
Pra nunca mais demorar
Antes do homem, o medo
Antes do medo, o amor
Antes do amor, a dúvida
Pois nem Deus sabe quem e o que prevalece em nós
Exilhos calados quimeras que exalamos sós
E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo
Semana que vem
E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo e vai me negar também
Antes que o tempo acabe!

Um comentário:

Preta Lopes disse...

Viva TM !!
O II Ato tá lindo msmo !!
E essa música, sem palavras !!

Bom gosto para comemorar a
chegada do II Ato!

Bjo Gaúcho !!

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento