1.7.07


Faz tempo que não escrevo. Não é que não tenha o que escrever, até tenho. Não é por que não estou encantado e apaixonado. Ainda estou. Não escrevo mais pois todas as palavras estão ditas nas poesias e nas músicas, nos olhares apaixonados, nas vidas vividas, nos recados de celulares, nos scraps, nas conversas no msn. Tudo o que queria escrever está sendo dito por muitos amantes neste momento. Não escrevo mais por isso: as pessoas escrevem suas vidas. E vivem as vidas. Alguns amam, outros são amados. Existe aquele, como eu, que não sabem se são amados, se são desprezados, mas sei que as pessoas me gostam. Isso basta?Não sei dizer. Só sei dizer que os lirios dos campos são mais bonitos, que o verde dos olhos encantam, que as flores perfuman....





Boneca de Pano

O Teatro Mágico


Que força é essa, linda flor?

Que se anuncia sem pudor

Que faz o mundo se inclinar

Só pra poder te admirar

Teu riso realçando a flor

Inebriante caminhar

A lua sobre o pobre mar

Debruça pra te admirar

Que prece é essa?

Que sonho é esse?

Que forma tão rara

Que olhar sincero

Que força é essa, linda flor...

Teu riso realçando a flor*

Inebriante equilibrar-se

Que faz o mundo se inclinar

Só pra poder te admirar

Que preca é essa?

Que sonho é esse?

Que forma tão rara

Que olhar sincero

Que força é essa, linda flor...

Rodopia

Boneca de pano

Rodopia

Boneca de pano

Que força é essa, linda flor...

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Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento