5.2.07

Sobre bolhas de sabão...

Vi hoje um menino brincando com bolhas de sabão, fascinado e encantado com a magia que as bolhas faziam ao subir ao céus. Perto dele, um velho adimirava a criança e refletia sobre as bolhas de sabão, disse ele para mim, "como são magnificas essas bolhas, são sensiveis, e estouram com o tocar amis suave do ar, são transparentes mas mostram infinitas cores, um arco íris que se mistura, acredito que assim são as pessoas, bolhas de sabão, sensivies,tenras e mistériosas, mas no fundo encantadoras pois fazem uma criança e um velho parar". Fiquei ali com ele, contemplando o menino, e admirando a poesia do velho.

Um comentário:

Drika disse...

Que inveja de ti senti. Como queria ter presenciado esta cena e a "poesia do velho". Mas mesmo não estando presente, fiquei emocionada com a sensibilidade com que tu narraste esta cena tão linda.

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento