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27.6.11

sons do vento


Meu olhos fogem com o tempo e seguem as fumaças das chaminés. A escrita que o vento traça em meu corpo traz a doce lembrança de invernos idos, a nostalgia de um tempo passado e riscado na alma como esse prédios que se erguem ao encontro das nuvens.

Na paisagem que se sobressai sobre a cidade cartazes fixados sobre os prédios profetizam anúncios luminosos tornando o invisível visível. Sinto no ar uma mistura nebulosa de potência e fragilidade [olho com o canto dos olhos para ela que continua imóvel ao meu lado] junto com o aroma doce dos ja[rdins]smins da rua.

O cachecol enrolado em meu pescoço dança brincando com o vento alcançando o corpo dela [seus olhos se perdem -assim como os meus na cidade de pedra]. Nada será como antes, penso eu. Assim como a cidade nunca é ela mesma ao anoitecer. Faço menção em virar-me e ir embora, uma palavra escapa dos lábios dela levadas pelo vento ao meu ouvido: [te amo].

Elisandro Rodrigues

[produzido na oficina de literatura potencial - curso de extensão transcrições no cotidiano]

árvore que venta

Nos Brotos de uma árvore, Linhas dançam no silêncio.


Elisandro Rodrigues

24.2.11

[...] shared - do azul e do tempo


Na imensidão do azul que me cobre o […] na espera por você […]. O silêncio se apossa do meu corpo, fico no aguardo de luzes piscarem na tela do meu computador, indicando que alguém me chama para conversar.

Na ansiedade dos que sentem saudade vejo logo....não é você, apenas […] e aguardo.

Na ignorância da saudade causo fissuras em mim mesmo, você percebe e me diz […]

Corro cataventos na janela do meu quarto em cada intervalo de um minuto da sua espera, falo comigo mesmo coisas que queria lhe dizer, principalmente que […] e o piscar do vaga-lume clareia a noite.

Finalmente chegas, e cada palavra sua é como um abraço e […]. Sinto-me feliz novamen

te. O sorriso brota no meu rosto como água no sertão.

A conversa é truncada, mas espero. Perco a paciência, você me explica com a candura de sempre – Aqui está cheio.

Corro cataventos em volta da flor que deixou no meu quarto e me acalmo. Quando as palavras são ditas e explicas fica mais fácil de entender. Os ventos que me molham […]

No entrelaço das palavras falta os braços ….minha saudade só morre quando for esmagada pelo abraço.

Lembro-me que para te entender preciso do silêncio que dança, e para escuta-lo é necessário […]

Paro, olho para as palavras escritas e escrevo em linhas desenhadas tortas [...]

Sinto você sorrir do outro lado do mundo e sensível na poesia da delicadeza me diz: And i loved the links that u shared... miss u. Tem coisas que soh o silencio faz a gente ver melhor nao adianta 'tamponar'.

Eu te olho nas palavras e vejo por que a saudade é legitima.

Na sua despedida a vontade de te contar dos tons e cores que vi nas árvores e no céu....mas o tempo dorme com a noite.

Eu digo tchau e […]


Elisandro [...]

9.11.10

Quando chegas...


Ando querendo fugir, não aguento mais caminhar por essas ruas. Estou com saudades suas. Tenho ciumes das pessoas quando sento nos parques, nessa primavera, e observo os casais felizes, as crianças brincando correndo sem camisa, tenho ciume e inveja delas. Você poderia estar comigo.

Não sou obsecada, mas penso em você a todo o instante. Não sei se suporto mais esses dias de calor insuportável. Não suporto mais ficar com dor de cabeça, com esse mal estar. Não suporto ver sol brilhando forte no céu. Penso em desistir de tudo, largar mão desse mundo cão, mas...às vezes penso em me mudar para perto de você, onde possa lhe encontrar mais seguido.

Você sabe que quando chegas tudo melhora. Quando você me abraça tudo se transforma. Me sinto calma. Me sinto feliz. Curto esses poucos momentos contigo. Essa sensação unica de ter você comigo. Por vezes você vai embora rápido demais, chega num dia e no outro já está partindo. Amo quando permaneces por mais tempo, por dias, por semanas.

Presto atenção nos sinais, tento perceber quando o vento te anuncia. Sinto seu cheiro. Fico a esperar nas esquinas. Algumas vezes corro para perto do Mar pois sei que lá te vejo ao longe chegando. Pelo alto, voando. Quando não sei que vens logo te espero nesses bancos de praça. Algumas pessoas me acham louca. Mas louca são elas que não tem um amor verdadeiro. Loucas são elas que não sentem o seu prazer.

Como amo quando chega...amo sentir você em mim....quando penetra meu corpo...quando me faz sentir completa...Prefiro quando chegas feito amante, sem eu esperar, me pega de surpresa – por mais que sempre esteja lhe esperando – vens por outros lados, por outros cantos, por outros campos.

Meu corpo sente o arrepio do seu vento...fico molhada como a chuva. Minha ética se aproxima da sua Estética: Vento, Chuva, assim frio. Te Amo Estética do Frio. Amo você Tempo, quando ficas assim, quando chegas assim.


Elisandro Rodrigues

Em um dia de ventos e chuva

5.11.10

“Siente como sopla El viento...” - Portfólio [Intervenção] Agosto




“Siente como sopla El viento...”

Portfólio [Intervenção] Agosto
Elisandro Rodrigues

(luz apagada começa o vídeo. Enquanto passa o vídeo vou construindo uma intervenção estética na sala com elástico e objetos – livros, palavras, cartazes, pendurados. Após o termino do vídeo inicia-se a leitura caminhando pelo espaço)

Tecetura de Vozes - Subjetividades trazidas pelo vento
*Sente como sopra o vento dentro da casa vazia?
Mas para que serve o vento?
Dizem também que serve para girar cata-vento e assim ele pode levar e trazer fragmentos de subjetividade.

*Quero lhe dar um ABRASUS, mas que SUS nós temos?

*Desculpa incomodar vocês, mas sabem me dizer que dia é hoje?

*Tio, tio, me dá uma moeda?

*Você é louco?

*Um desejo: escutar o silêncio nos corpos concretos que permaneceram – cinzas, vestígios, traços - e nas imagens fotográficas que captaram essa sua passagem material. Escutar o silêncio dos corpos concretos e o silêncio das imagens que os fazem parecer como marcas de um tempo que já não existe. Escutar o silêncio...(Eugénia Vilela)

*SILÊNCIO

*Raciocinar com os pés.

*Se eu sair do hospital eu vou habitar a cidade?

*Por onde ele anda?

*Existia uma cortina nessa janela?

*Qual é nossa clinica?
Qual é a nossa prática?

*Que música é essa que toca?

*Pensamentos traçam um caminho de vento.

*O fragmento é para o pesquisador o que o sampler é para o músico: um exercício de liberdade, mais um elemento desmantelador da noção da autoria, ao representar a criação como um jogo de pirataria, uma colagem feita por DJ´s – Denilson Lopes, nós os mortos em Rosane Preciosa ‘Rumores Discretos da subjetividade’.

* Subverter espaços

*Se virar nos trinta para colocar comida em casa

*Complexidade

* Rumores discretos numa vazies propulsora dos fios de nossas vozes numa poiética dos corpos e roupas

*Falta amor e encantamento na minha vida
*Onde fica o rabo do mundo?
*Mares que se molham e espalham as securas dos dias que nos movem...
*Poiética do silêncio
*Vidas que se inscrevem nos corpos
*Bêbado de informação
*Sujeitos são produzidos nas práticas sociais e nas relações
*Pensamentos que brincam com o vento
*Um corpo, uma engrenagem de sensações que intrigam textos o tempo todo (Rosane Preciosa)


*Canções sobre o vento (Utilizadas no vídeo)
Canciones al viento (La trampa)
Nada sabe el viento
que nunca se queda
que todo ayuda a perder.
Soplan desde el alma rachas de aire nuevo
que al fin le harán comprender.

Acomodador (El Robot bajo El água)
El viento se lleva las cosas que uno deja que se lleve
Y deja de llevarse las que uno deja que se queden
El agua no está tan fria una vez dentor de ella
Y el cielo nunca esta gris después de una tormenta
La película de tu vida se proyecta a todo color
si queres entrar al cine a verla no esperes al acomodador
Desde Adentro (Vieja Historia)

Me encanta perder el tiempo,
me encanta perder todo lo que nunca tengo.
Mira como sopla el viento,
pasa una nube tras otra.
Mira como sopla y solpla.
Siente como sopla el viento, viene desde adentro, desde mi balcón.
La gente alla abajo ya no esta tan loca.
Ella tiene miedo de su propia boca.
La gente alla abajo ya no siente pena.
Suena una guitarra tocando sus venas.
Siente como sopla el viento, viene desde adentro, desde mi balcón.
Siente como sopla el viento, viene desde adentro, de mi corazón.
Sabes que es lo que pasa hoy.
Por mucho que despegues no llegás a ver el sol.
Viento, que despeina la ilusion de ser un hombre util siendo yo.
Ellas vuelan juntas, yo las veo pasar,
parecen estrellas pero brillan más.
Y si nunca olvido lo que pudo ser,
no creas si digo que ya te olvide.

Vento a dois...

Ventando feito louco vem esse tempo vendaval

vendaval que leva tudo

corpo, alma,

papéis e pensamentos.


Louco é o tempo ventado pela saudade

Chamando a brisa do abraço


Venta longe

Venta forte

Venta pra encurtar a distância

Vento beijos

Vento sonhos para longe de mim


Espero que o vendaval leve meu amor junto ao seu


Espero ….. que a chuva não apague....


mas que acenda, [todo sopro que apaga uma chama, reascende o que for pra ficar]

que relembre todo o tempo

que aqui estou contando os dias nas passadas do vento

nos pingos da chuva.


O vento embala meus sonhos e meu amor

e no cheiro que me chega

a saudade dos teus cabelos

No ventar do s[m]eu corpo eu vou....


Vanessa Lopes e Elisandro Rodrigues


26.10.10

Vento Mar...


Vento Mar e botões por onde passo. Vento um Mar de lágrimas no caminho para casa. Vento pensamentos de todas as ordens. Vento meu amor para longe para analisar a situação em que estou.


Sei que não sou o melhor dos namorados, sei que erro um monte e alimento minhas loucuras cotidianas feito furacão. Mas faço esse vendaval para ficar mais perto de você, para sentir que existe ainda. Vento tão forte que movo as águas de um Mar calmo fazendo as ondas sacudir os barcos dos pescadores.


Sou ciumento, possessivo, egoísta e medroso, eu sei que sou, e sabes que sou, e sabes como és também, osso duro de roer. O que quero lhe dizer é bem simples, como falei no telefone. Também estou cansado, exausto, rua após a enxurrada. E sei que estás assim também, proponho algo bem simples, isso se queres levar adiante nossa relação, se me amas ao ponto de construir tempestades e remexer o oceano profundo.


Proponho que arrumamos a casa, limpemos a lama, erguemos os móveis, pintamos as paredes, rabiscamos frases nos rodapés da casa. Proponho algo simples, e digo que tentarei me esforçar ao máximo para ajudar nessa construção, mas tens que fazer a sua parte, e temos que ambos entender que as vezes cansamos e precisamos deitar na parte ainda não pintada imaginando como ficara a casa quando estiver pronta. Proponho a simples construção, o deixar os pensamentos e as ideias ciumentaspossessivasloucas só para a gente, e que elas sejam lavadas pelo Mar e levadas pelo Vento.


Proponho coisas simples, como simples deve ser o amor, como simples é o Mar e o Vento. Proponho que deixamos de lado toda a ladainha dos deuses e deusas dos santos e santas e arrisquemos a orar para Deuses pagãos e mortos, nos arrisquemos a ajoelhar em frente a Deuses que acreditamos vivos. Que lancemos oferendas ao Mar e flores ao Vento. Tudo para pactuar o que pode ser límpido como o azulesverdeado do Mar e transparente como a brisa da manhã de primavera.


Proponho que nos abramos para sentir a doçura da água do Mar no nosso corpo, sentir a leveza do abraço do Vento.


É uma proposta ousada mas simples, que só quem tem coração leve e puro pode embarcar nela para navegar nesse Mar de bonitezas levados por esse Vento intempestivo.


Se queres arriscar a viver uma coisa simples regada pelo Vento e espalhamada como o Mar saberás que achou um parceiro que cansou dessa vidinha nesse mundo de gente de pedra feito máquina a fazer VentoMar artificial . Quero construir a realidade de uma outra utopia, de um outro sentimento e sentido. Quer compartilhar esse mundo comigo?


Só peço uma coisa: desprendimento do que tudo antes se viveu e saída da redoma de vidro azulcoloridoartificial.


Elisandro Rodrigues

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento