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20.6.11

Pequeno [In]vent[ári]o – pés descalços e autonomia


“Sábado, dia 03/06, manhã fria de outonoquaseinverno em um local frio [que entra no corpo pela umidade e pelos olhos pela dorviolênciaopressão] vejo pés descalços pisando o chão coberto por pisadas antigas, frágeis e delicadas. Na minha frente a discussão sobre sobre a política de desinstitucionalização, pessoas visíveis que tornam os pés invisíveis. As anotações que faço no caderninho preto são: Eles estão de pés descalços para se sustentarem no mundo? Me distraio com outra anotação: Corpos que correm dentro de si no sol frio de outonoinverno. Anoto novamente: Se está frio aqui dentro, imagine todos os dias durante todo o tempo que se torna séculos para eles. Me pergunto em meio a falas: Como tornar visível o invisível? Será que na invisibilidade se sente frio? Uma fala se sobressai dita pelo italiano que nos visita 'as pessoas precisam não estar de pés descalços. Para elas ninguém vai dar sapatos ou vender. Coisas belas não podem ser dadas aos loucos pobres'. Meus pensamentos fogem longe, se escondem, chovem. Passarinha me passa um poema de Mario Quintana nesse momento [pequeno inventário]:


Os cabelos encaracolados das chamas
Os lisos cabelos do vento
O cabelo rente da grama
Os grandes pés ausentes dos deuses de pedra
Os pés volantes do medo
Os pés ridiculamente em enquadro dos assassinados.
Os meus dedos em leque onde se incrustam as estrelas
Os meus dedos em grade
Os meus dedos em grade
Os meus dedos em grade, ah, que eu não
consigo atravessar!


Volto ao tempo presente quando ouço uma das últimas falas do encontro 'É tempo de sonhar'. Olho para os pés no chão, os pés descalços e vou em direção a eles.” [texto escrito sobre o IIº Seminário/Oficina Internacional Loucos pela Vida – 20 anos de construção coletiva no dia 04/06]

Elisandro Rodrigues

24.2.11

[...] shared - do azul e do tempo


Na imensidão do azul que me cobre o […] na espera por você […]. O silêncio se apossa do meu corpo, fico no aguardo de luzes piscarem na tela do meu computador, indicando que alguém me chama para conversar.

Na ansiedade dos que sentem saudade vejo logo....não é você, apenas […] e aguardo.

Na ignorância da saudade causo fissuras em mim mesmo, você percebe e me diz […]

Corro cataventos na janela do meu quarto em cada intervalo de um minuto da sua espera, falo comigo mesmo coisas que queria lhe dizer, principalmente que […] e o piscar do vaga-lume clareia a noite.

Finalmente chegas, e cada palavra sua é como um abraço e […]. Sinto-me feliz novamen

te. O sorriso brota no meu rosto como água no sertão.

A conversa é truncada, mas espero. Perco a paciência, você me explica com a candura de sempre – Aqui está cheio.

Corro cataventos em volta da flor que deixou no meu quarto e me acalmo. Quando as palavras são ditas e explicas fica mais fácil de entender. Os ventos que me molham […]

No entrelaço das palavras falta os braços ….minha saudade só morre quando for esmagada pelo abraço.

Lembro-me que para te entender preciso do silêncio que dança, e para escuta-lo é necessário […]

Paro, olho para as palavras escritas e escrevo em linhas desenhadas tortas [...]

Sinto você sorrir do outro lado do mundo e sensível na poesia da delicadeza me diz: And i loved the links that u shared... miss u. Tem coisas que soh o silencio faz a gente ver melhor nao adianta 'tamponar'.

Eu te olho nas palavras e vejo por que a saudade é legitima.

Na sua despedida a vontade de te contar dos tons e cores que vi nas árvores e no céu....mas o tempo dorme com a noite.

Eu digo tchau e […]


Elisandro [...]

14.2.11

Encostado no silêncio das palavras

“Eu estava encostado na manhã como se um pássaro à toa estivesse encostado na manhã” (Manoel de Barros)

Me perdi nessa manhã em busca de palavras para tatuar seu pulso. Não achei. Achei palavras tatuadas no silêncio do seu corpo. Mas não consegui traze-las ao escrito das fitinhas. Elas querem ficar ali inscritas nas suas asas para voarem em seu corpo.

Fiquei a pensar no inscrito de nossos corpos e para mim a saudade está ali, inscrita no silêncio brincando de pega-pega com meu coração. A saudade é palavra imensa para colocar tatuada no pulso. Ela nega-se a ficar apenas ali. As medidas dela não cabem na fitinha colorida, assim como o azul multicolor não se mede mais em mim.

Perdi-me nessa imensidão de sentimentos como os passarinhos a voar no céu quadrado de sua janela. Olhando para o voo deles me perco em pensamentos “e aprendi com eles ser disponivel para os sonhos”.

Nos pensamentos que avoam nada tatua-se no papel. Eles avoam pela minha alma mudando-se de lugar no meu corpo. Não querem ficar presos na fitinha do braço, formando apenas uma frase, querem correr livres pelo meu [seu] corpo. As palavras [letras] querem se transformar em asas, descer para junto dos pés e ficar pertinho do chão, querem subir ao rosto, beijar minha boca e fazer cafuné.

Descobri nessa manhã que as palavras [letras] são empréstimos teus feitos na comunhão do silêncio em meu corpo tatuando essa saudade gostosa para elas passearem feito passarinhas atoa na boniteza do por vir.


Elisandro Rodrigues

31.1.11

Pingando poesia


Quando o silêncio tece rumores no Quarto Escuro sinto a saudade cartografar meu corpo. Dizem que são de saudade que se fazem os outonos e de reencontros as primaveras. Minha saudade se faz das quatro estações num único ano de um dia pingando poesia na cor do canto da passarinha.

14.1.11

Florações


Nas Florações da vida sigo os rumos do vento num fabuloso destino, nesse entardecer de quenturas o canto da passarinha invade meus olhos antecipando in[e]scritas tatuadas em meu corpo.

Elisandro Rodrigues


Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento