22.10.10

Teceturas


Tecendo uma colcha de amarguras passo os dias cinzentos de primavera. O colorido das linhas distância a ilusão da dor, mas traz para perto o sentimento do vento frio. S[c]em linhas faço o meu destino numa pro[lou]cura [in]cansável tramando concepções e sentidos para os sonhos e a esperança ... em preto e branco forma-se o desenho colorido.


Elisandro Rodrigues

18.10.10

Zó, as coisas que são frágeis, Lou...


Sentado na beira da calçada Zó observava a multidão passar no alto de suas fragilidades. Pensava ele que as pessoas eram muito frágeis com seus medos, suas ilusões. Lembrou de uma frase lida em algum pedaço de papel qualquer "As pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também."(Neil Gaiman - Coisas Frágeis).

Zó sabia que aquelas pessoas que caminhavam com seus semblantes sérios, taciturnas, carregavam grandes fardos. Não estranhava que as vezes, no meio daquela multidão, alguns caminhassem chorando.

Naquela aglomeração uma destacou-se nos seus olhos por um corolidodetristezaaomesmotempofeliz que saltitava entre vitrines olhando uma boniteza artificial e pessoas que ela parava na rua. Não entendendo o que se passava e pela sua curiosidade gritante saio do conforto de seu assento para olhar mais de perto aquele ser.

Chegando perto Zó viu que se tratava de alguém como ele. Sem querer, mais querendo, ele esbarrou naquele ser corolidodetristezaaomesmotempofeliz, Ela, pelo que Ele se surpreendeu foi logo dizendo:

- Aqui sou eu que estou pedindo vai achar outro lugar.

Sem entender nada falou: - Não quero pedir nada, só fiquei curioso por você. Ela o olhou estranhamente com uma delicadeza e uma ternura de criançaevelho.

- Sendo asssim, muito prazer. Pode me chamar de Lou....de Loucura.

Zó falou seu nome e voltou para seu canto de observação. Ficou olhando a menina Loucura caminhar por entre a multidão e vitrines.


Elisandro Rodrigues

(Depois de algum tempo um ato de criação...)

15.10.10

Nau...


Em um livro que uma amiga passou encontro uma frase que se faz presente no meu corpo... "Um pouco de possível senão eu sufoco.." (Gilles Deleuze em Conversações, pg. 131 -lida na Nau do Tempo Rei de Peter Pál Pelbart, pg 11).


20.8.10

Tempo...de não escrita.

Ando sem tempo para postar aqui, como se alguém se preocupasse com isso também né. Mas para simplesmente satisfazer a minha culpa, por achar que tenho alguma, mas como não tenho nenhuma em relação as pessoas que vem me ler, se é que existe alguma pessoa que vem me ler, acho que ninguém vem me ler, mas tanto faz como tanto fez, estou aqui para dizer que não estou escrevendo por o tempo não me deixa escrever. É o tempo, sabe aquele tempo que te come por todos os lados e não te satisfaz e nem te faz gozar, é esse tempo que está me comendo.
Mas como não tenho tempo nem sei por que estou perdendo o tempo que tenho para escrever aqui e dizer que o tempo que eu não tenho tá me comendo e me deixando sem tempo.
Para falar...ixi acabou o tempo.

10.8.10

Siente como sopla el viento...

Caminhando pela Lambla de Montevideo observo uma frase pixada na marquise "siente como sopla el viento". Sinto aquele vento soprado do mar, e de alèm mar. Meus pensamentos traçam caminhos de vento e vao parar em outros lugares...Na noite caminhando pelas ruas vazias da cidade o vento sopra novamente trazendo de longe uma nèvoa e um frio. Caminho olhando as estrelas que teimam em brilhar no cèu. Me desfaço com o vento e deixo me levar para onde moram meus pensamentos.

"Outros embarcam numa intrigante experiência. rolam entorpecidos pelo tùnel como se estivessem expostos a um vento brincalhao que se diverte em lhes virar pelo avesso, em soprar-lhes na alma espanto. O vento e suas desorientadas acrobacias invade o espaço vida, inventa um arrevesado sentido para a existência. Ao cabo da Brincadeira as crianças se sentem esgotadas e estranhamente revigoradas." (Rosane Preciosa)

Elisandro Rodrigues

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento