12.1.09

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Pirilampa
Com você posso criar as asas do desejo desse devir-anjo. Forjando asas para poder voar-criando vôos no infinito. Doando flores do campo e tirando risadas.

"É preciso dar tempo a essa gestação com que se confronta a loucura, a essas tentativas, a essa construção e reconstrução, a esses fracassos, a esses acasos. Um tempo que não é o tempo do relógio, nem o do sol, nem o do campanário, muito menos o do computador. Um tempo sem medida, amplo, generoso." (Peter Pál Pelbart)

Elisandro Rodrigues

10.1.09


"É muito gostoso
este nosso chamego
este nosso aconchego
esta nossa alegria de ser feliz"
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Gosto
...quando ela me liga pela manhã me acordando dizendo para eu ir ao encontro dela. ...quando sua mão pega a minha e passeia sobre seu corpo mostrando caminhos e trilhas de desejo.
...quando nossos corpos se comunicam no silêncio mudo do prazer.
...quando o suor dos corpos se mistura misturandoocheironossodesexoeamor.
...quando conversamos e partilhamos a vida, a semana, os dias e anos já vividos.
Gosto disso por que gosto!

Elisandro Rodrigues

9.1.09

Pontos

(do livro Casulos de André Neves)

Pontos...

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Por que será que uma caixa de sapato pode fazer alguém feliz?

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Um pouco de possível, senão sufoco..

(Peter Pál Pelbart).

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Hoje pela manhã vi um beija flor no meio da chuva!

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Tudo se compõe e se decompõe.(Moska)

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...mas aos que alguma vez desconfiaram que essa vida norma e tola que nos é oferecida e alardeada como a única possível, desejável e saudável esconde outras tantas. Cuja beleza e tentação cabe reinventar.

(Peter Pál Pelbart)

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eu direi tu
(Tijuqueira)

o direito a uma semana com luz
direi tu que sabes o que que é bom,
sangue de rei
tu tens as previsões de onde eu irei
e onde vou parar
repare, repare no sol
depare, depare com o sol
fazer força dói
fazer tudo dói
abrir o olho dói
vou me sentar aqui
vou imitar caubói
quero ser herói
voar e amanhã vou existir
se eu serei um caso normal
de sucesso da tua voz
sobre o meu peito
eu direi
que está tudo normal
não sentirei falta nem de uma cor
te acho linda nem sei porque
acho que é porque tu me deste
tudo que eu tenho hoje aqui
não vou deixar tu ir embora
não vou jogar tudo que eu tenho fora
sou egoísta
desenhista
ilusionista
até artista
talvez, talvez, talvez

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a noite vai te trazer estrelas
o riso vai te deixar mais linda.

(Tijuqueira)

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"que o tempo te traga a calma
que a calma te faça sentir
que o sentir te una a mim
se não sabes quem tu és
saiba que isto és tu
saiba que eu sou tu
e, sempre que pensares em mim,
serás eu, dentro de tua alma"

(Tijuqueira)

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o meu compromisso
com a minha natureza
de não ser igual
nasci no meio
de milhares de pinheiros
mas eu saquei que sou uma goiabeira
na geometria desse mundo
me disseram que eu sou quadrado
mas eu sou triangular
ou, quem sabe, circular
o alecrim e o hortelã me confundem
o alecrim, o alecrim, o alecrim...

(Tijuqueira)

6.1.09

Plantando flores...


Elli estava sentado no cordão da calçada esperando o filme começar. Faltava meia hora para entrar na sala e ver 'A casa de Alice'. Sentado ali ruminava seu dia desde a noite passada onde fora egoísta com Ella. Pensando rezava e rezando pensava. A memória agia rápida ligando e interligando sinapses formando conceitos e palavras. Ruminava e entendia o que se passava, entendia como o processo acontecia, como na noite anterior onde plantará a flor. Para fazer isso foi preciso de um tempo, de um preparo da terra, da semeadura da flor. E até que ela floresça iria levar alguns dias, nada floresce do dia para a noite, as coisas levavam tempo, tem que se cuidar, tem que regar. Sendo assim nada mais justo do que respeitar o tempo. Sentia-se melhor, mais feliz por dentro por compreender um pouco mais a dinâmica da vida. Tudo para nascer dói, e para nascer precisa tempo – lembrou-se que havia lido esta frase em um livro ‘Satolep’. Sentia-se mais calmo, mais decidido na opção de esperar – uma espera produtiva, de criação, tempo de espera para deixar a boniteza da vida florescer. Assim entrou na sala e saio dela. E assim continuou convicto de sua opção, convicto do respeito por Ella, do tempo que ela precisava. E assim ficou.

Elisandro Rodrigues

5.1.09

Vi uma estrela lá fora...


Em 2009 poucas palavras...apenas o som do mar, a luz das estrelas, as flores de amor-perfeito e flamboyant a embelezar e perfumar, os pirilampos a iluminar os caminhos, o vento a levantar o cabelo, o canto das sereias...e o sentimento de que Ela é o que necessito e preciso. A espera se faz saudade e aumenta o amor e a paixão. Eu te mar....eu te vento....eu te espero!

Elisandro Rodrigues

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento