22.5.08


Somos atores em um ato sem aplausos.
Parece que não sabemos quem somos. Ficamos perdidos no meio das luzes que nos cegam, no meio de tantos personagens que fingimos encenar para nos esconder de nós mesmos. Escrevemos cartas para nós disfarçando a solidão e a tristeza ou para tentar nos acharmos. Em vão preenchemos folhas e folhas.

Ainda assim, sempre que pensamos estar sendo como queríamos ser, como desejamos ser, vem a lembrança de estar fazendo algo errado. E o que é isso? Nada mais, nada menos que a certeza de que estamos sendo não quem pensamos ser e sim, a pessoa que os outros querem que a gente seja.

Quando vamos dar um grito de liberdade, quando vamos soltar o verbo, mandar tudo para o alto. Na verdade quando vamos sair de nós mesmos para ser quem queremos ser. Há de chegar o dia em que a liberdade vai bater asas e voar. Enquanto este amanhecer não chega vamos encenando nossas próprias vidas.

E por hoje .......por hoje continuamos sendo quem não somos.

Eu não sei na verdade quem eu sou,
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Por que a gente é desse jeito
criando conceito pra tudo que restou?



Elisandro Rodrigues
Ricardo Amaral
Foto de Beatriz Rodrigues
... tentando ser elas mesmas....

19.5.08

Ninguém sabe porque


Existe alguma razão para vivermos a sonhar? Existe alguma razão para vivermos a lutar? Sobra tanta falta de algumas coisas em nossas vidas. Sobra tanta falta de amor, de paciência. Sobra tanta falta de uma pessoa para nos encostarmos e deixar o tempo parar ao lado desta pessoa. O porquê de não termos uma vida como queremos é a duvida, o mistério.
Deve ser por que não somos bons o suficiente para levar a vida que sempre quisemos ter? Ou não a merecemos? Por quê tanta miséria? Por quê tanta fome no mundo? Por quê tantas pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza? Por quê o dinheiro está concentrado nas mãos de poucas pessoas?
Perguntas que, na maioria das vezes sabemos as respostas, mas não fazemos nada. Por quê?
“Por quê o céu é azul” pergunta a criança. Por que é ... azul...por que Deus fez assim....é a causa das substancias que existem na atmosfera...por que........
“Por quê sofro tanto” pergunta o desempregado a sua esposa.
“Por quê tenho que fazer isso” pergunta o filho a mãe.
“Por quê temos que ir por este caminho e não pelo outro” pergunta o andarilho.
“Por quê nos apaixonamos por pessoas que não devíamos nos apaixonar” pergunto eu para ver se acalmo o vazio no meu peito...
“Por que fazemos estas perguntas se sabemos que mesmo que encontremos as respostas de nada vai adiantar?” respondo a mim mesmo recordando a fala de um texto. Na verdade Ninguém sabe porque!


Elisandro Rodrigues

Se perguntando vários porquês...

27.4.08


Sobre lembranças.

Andei assistindo "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", na verdade acabei de assistir. Logo após terminar o filme, fui para a janela e fiquei a contemplar a noite e fazer recordações. Geralmente me pego remexendo o passado, as lembranças de um fato ou de alguém. É por isso que sempre guardo coisas, muitas vezes objetos sem sentido, mas que para mim guardam lembranças e sentimentos.
Me peguei pensando sobre o filme pois muitas vezes queremos sempre apagar lembranças, principalmente as amorosas. Mas se fizessemos isso, o que seria de nossas vidas sem, como diria meu personagem na peça "Universo da Imaginação", sem saudosismo. Temos que lembrar, recordar, é tão gostoso fazer isso. Não só os momentos bons, os ruins as vezes também merecem ser lembrados.
Gosto de lembrar, tento lembrar de todas as pessoas que passaram pela minha vida. Volta e meia tento achar estas pessoas, saber onde estão, como estão, o que andam fazendo. Quando não consiguo o simples recordar já basta. Se não me engano já escrevi algo sobre isso também. Ando meio desligado. Fora do ar. Preciso recordar mais.
Sempre escrevi coisas amorosas, faz tempo que não faço isso, tempo que não me apaixono de fato, quem sabe não é as recordações que impedem isso. De fato não sei e não entendo. Mas como diria o personagem do filme "Por que me apaixono por todas as mulheres que vejo e que me dão um mínimo de atenção?".
A unica coisa que sei é que existe o que entendemos e o que não entendemos.


Elisandro Rodrigues
Se apaixonando.
Final de Abril.

10.3.08

Estrela Caída

Tive uma noite agitada de sonhos. Sonhos estranhos, diferentes que nunca havia tido. Me acordei assustado, olhei para todos os lados no meu quarto. Tudo escuro. Procurei o pontinho de um verde ofuscante que ficava sempre brilhando no escuro. Olhei para onde ele deveria estar, na porta do meu guarda-roupas, e não o encontrei. Voltei a dormir.

Pela manhã quando me levantei de fato, fui procurar a estrela que brilhava no escuro. Estrela que me destes para lembrar-me de você nas noites escuras e frias. Demorei para encontrar aquela estrelinha, miudinha e verdinha. Estava no chão, quase embaixo da cama. Pensei comigo, minha estrela caio. O que isso significava. O que significa uma estrela no chão.

Não consegui achar respostas, pois ainda estava atordoado da noite de sonhos ruins, e meus pensamentos estavam todos enrolados como um grande novelo de lã. Tomei meu café, com uma paciência sabia de estar remediando o que está por fim, acumulando forças para enfrentar as brigas e lutas que estariam por vir.

Sentei na frente do computador. Abri meus e-mails e lá estava uma mensagem sua. Uma carta. Uma carta de despedida. Uma carta de adeus. Entendi por que a estrela havia caído. Chorei lágrimas de desespero e saudades. Sai da frente do computador. Fui para a sala, o rádio estava ligado, e estava tocando “Me deixa em paz” pela Orquestra Imperial.

Não sabia mais o que fazer. Como a dor da paixão é forte. Senti caindo em um abismo sem fundo. Me joguei no sofá da sala e fiquei ali. Parado e observando o teto, com mil pensamentos. Pensei em te ligar. Pensei em responder seu e-mail. Pensei em pegar o próximo ônibus, o próximo avião e ir te ver. Falar com você. Esclarecer tudo. Me senti sem forças. Me senti como uma estrela no chão.

E assim fiquei, deitado como uma estrela. Esperando virar pó ou voltar a brilhar.

Me deixa em paz

Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
Evitar esse amor
É impossível
Evitar a dor
É muito mais
Você arruinou a minha vida
Me deixa em paz

Elisandro Rodrigues
Março de 2008

10.2.08


A casa do querer


"Aonde mora, aonde mora a casa do querer..."
, fiquei me perguntando depois que li seu e-mail, faz um bom tempo já, você já deve estar voltando de viajem. "Aonde chora, mora a casa do sofrer..." foi esta uma das respostas, estava chorando por dentro, com dor. Mas resolvi ir a luta e tentar alguma coisa, ser feliz, viver feliz do lado de um outro alguém.
Mas de nada adiantou, não foi os lábios, o corpo, as palavras desse outro alguém que fizeram me esquecer de você, bem pelo contrário, realçou ainda mais a chama da paixão, a chama de querer você, de ter você de beijar e tocar seu corpo.
"Já que você me abandonou, sem dizer adeus, sem olhar nos olhos meus, eu canto, eu canto, eu canto assim...", canto, escrevo, penso, reflito para não te esquecer, para fazer de seu rosto meu horizonte, de seus lábios minha salvação. Foi sem dizer adeus, mas precisamos dizer adeus fico pensando, será que não é melhor assim? Não sei, mas fico imaginando seus olhos olhando os meus e em vez de um adeus dizer outras palavras..."eu te gosto...".
"Agora é hora de se fazer crescer, a nossa velha estória o nosso louco caso de amor, e ter assim acessa a chama da paixão...", penso que está é a hora. Estou disposto a acordar cedo, a olhar pela janela e te avistar chegando, em vez de indo embora. Quero te ver chegar, quero te ver entrar em meu coração e fazer sua morada, fazer sua casa, a casa do bem querer, do seu querer.
"Aonde mora, aonde mora a casa do querer..." a casa do querer mora dentro do seu coração, e também quero entrar nele, não quero que você simplesmente lembre-se de meu sorriso, ou imagine-o, quero que o vivas com muito querer, com muita paixão, e que nossa casa seja morada da felicidade, morada dos nossos corpos que se amam. Quero escutar seus passos a todo momento dentro do meu coração...

(Música "A casa do querer", Donati)

Elisandro Rodrigues
Fevereiro de 2008
Construindo a casa do querer!

Entra[saí]da - Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim:

O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.

Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.

[...]

1)É nos loucos que grassam luarais; 2)Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Siente como Sopla el Viento